sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ri

Foi matando todos os males que achei espaço para perdão.
Eles nem querem saber mais disso, agora que estão a sete palmos abaixo do chão...

Reminiscência

Quando as águas do rio eterno
vierem me levar,
Levarão todas as memórias
Que deixo e deixei estar!

Tentarei me agarrar às pedras
para não ir com a correnteza.
Mas minha pessoa há de partir
                     [levada pela leveza...]

Pois a mente humana é muito pequena
comparada ao tamanho do mundo!
Tudo fala, tudo pensa,
tudo some algum minuto.

Para que persistir
se a vida é perder?
Sofremos de tais verdades
das quais não queremos saber.

O que hoje é meu,
amanhã não o será;
as águas do rio eterno
um dia o irão levar...

O breu onda ficam os sonhos
mortos, no desaguar
Ah! Esses o rio eterno não consegue arrastar.
Todos esqueceram deles, foram postos sob o véu.
Os sonhos mortos riem e choram
em um mundo onde moram
e este eu chamo de céu.

Cantiga do Impedimento.

Queria que sua alma voasse
e que seu corpo se espatifasse.

Queria se libertar
da pobreza que a fincava lá.

Queria ver a China,
Buenos Aires da Argentina.
Quer de avião voar.

Mas sua vida era muito pequena
Podia ser descrita num poema !

As grandezas de países estrangeiros
nem sequer lhe davam respeito.

Trabalho sem recompensa,
amores da adolescência
gravidez fora de hora,
Favela da Portinhola.

queria ver os santos
queria dançar com os anjos

Para onde mais essa pobre poderia viajar?

"pelo menos lá não me barram pela cor que é meu forro
pelo motivo que é meu choro.
Vou buscar conforto!
pois a raça da minha pele,
por enquanto aqui só me fere
Mas não tem raça meu coração,
onde guardei toda essa solidão."


Queria que sua alma voasse...
queria que seu corpo se espatifasse...